quinta-feira, julho 27, 2006

Les Contes d'Hoffmann - Offenbach




No domingo próximo, às 15:00hs., a Radio Cultura FM de São Paulo irradiará a ópera "Os Contos de Hoffmann".

O anúncio é reproduzido abaixo.

TEATRO DE ÓPERA - O mundo da lírica em obras completas

OFFENBACH - Os Contos de Hoffmann. Solistas: Francisco Araiza, Samuel Ramey, Jessye Norman, Cheryl Studer, Anne Sofie von Otter. Staatskapelle Dresden. Reg.: Jeffrey Tate. Apresentação: maestro Walter Lourenção.

Ópera em três atos com prólogo e epílogo

Compositor: Jacques Offenbach
Texto do libreto (em francês): Jules Barbier e Michel Carré, baseado em histórias de E.T.A. Hoffmann.

Première Mundial: Paris, Opéra Comique, 10 de fevereiro de 1881.

Personagens:

Lindorf -- (barítono) Conselheiro regional de Nuremberg.
Andrès -- (tenor) Um criado.
Hermann -- (barítono) Um estudante.
Luther -- (baixo) Um dono de hospedaria.
Nathaniel -- (tenor) Um estudante.
Hoffman -- (tenor) Um poeta e contador de histórias.
Nicklausse -- (mezzo-soprano) Amiga de Hoffmann.
Spalanzani -- (tenor) Um inventor.
Cochenille -- (tenor) Um criado de Spalanzani.
Coppélius -- (barítono) Rival de Spalanzani.
Olympia -- (soprano) Uma boneca mecânica.
Giulietta -- (soprano) Uma cortesã.
Schlemil -- (baixo) Amante de Giulietta.
Pitichinaccio -- (tenor) Outro dos admiradores de Giulietta.
Dapertutto -- (barítono) Um mágico.
Antonia -- (soprano) Uma cantora que herdou o coração fraco de sua mãe.
Crespel -- (barítono) Um conselheiro regional de Munique, pai de Antonia.
Franz -- (tenor) Criado surdo de Crespel.
Dr. Miracle -- (barítono) Um feiticeiro do mal.
Voz da mãe de Antonia, cantada por uma mezzo-soprano.
Stella -- (soprano) Uma cantora de ópera apaixonada por Hoffmann.


Sinopse:

Prólogo: A ópera começa em uma taberna. O Conselheiro Lindorf intercepta uma carta de amor da cantora de ópera Stella para seu namorado, Hoffmann, na qual ela marca um encontro para mais tarde naquela noite. Lindorf está determinado a encontrar Stella no lugar de Hoffmann e conquistá-la para si.
Hoffmann, um poeta e contador de histórias, está entretendo a multidão com uma de suas histórias sobre um pequeno amigo chamado Kleinzach. Hoffmann pretende ir à ópera assistir seu amor mais recente, Stella, cantar em Don Giovanni. A multidão, entretanto, lhe implora para ficar na taberna e continuar a contar suas histórias. Hoffmann concorda em continuar, embora o próximo ato da ópera esteja começando na porta ao lado.


ATO I: Estamos na casa de Spalanzani, que é um inventor de figuras mágicas, fantásticas. Ele está indo revelar a sua última criação, Olympia, uma boneca de tamanho natural. Hoffmann, tendo-a visto de longe, começa a se apaixonar por ela, sem perceber que se trata de um brinquedo mecânico. Nicklausse, amigo de Hoffmann, avisa-o que Olympia não é o que parece ser, mas Hoffmann não o escuta.


Coppelius, que fabricou os olhos de Olympia, diz a Spalanzani que eles ganharão muito dinheiro exibindo a boneca. Coppelius vende a Hoffmann um par de óculos que distorcerão a sua percepção, para que Olympia pareça humana. Spalanzani faz um acordo para pagar 500 coroas a Coppelius, como divisão dos lucros. Casualmente, o dinheiro está guardado com Elias, um banqueiro falido que deve dinheiro a Spalanzani. Coppelius está sendo enganado!


Muitos convidados chegam para ver a última maravilha. Olympia, comandada por Spalanzani, canta e dança. Ela consegue mesmo falar, somente uma palavra, sim ("oui"). Seu canto encanta Hoffmann. Quando ficam sozinhos, eles começam a dançar. Ela dança tão loucamente que Hoffmann cai no chão, quebrando seus óculos mágicos.


Coppelius volta ao perceber que o dinheiro de Spalanzani não é bom, e procura vingança. Ele espera o momento em que Olympia está sozinha e a destrói. Ambos, Hoffmann e Spalanzani, ficam perturbados.


ATO II: Este ato ocorre na casa de Crespel, conselheiro de Munique, e sua adorável filha, Antonia. Ela é bastante frágil e seu pai tem lhe prevenido para não cantar, embora ela ame fazê-lo, porque o esforço a matará, como aconteceu com sua mãe.


Contra a vontade de Crespel, Hoffmann entra e canta com Antonia. Ela se sente mal e sai. Hoffmann se esconde, determinado a descobrir qual é o mistério da doença da jovem.
Dr. Miracle aparece no quarto e realiza um estranho exame em Antonia, sem a presença dela. Seu pai, atrás dele preocupado, implora e grita para que o Dr. Miracle vá embora. Ele está certo que o Dr. Miracle está tentando matá-la.


Antonia volta antes que o Dr. Miracle parta e Hoffmann lhe implora para que ela nunca mais cantar. Com tristeza, ela concorda com a promessa. Ele parte dizendo que voltará para ela. Miracle entra e seduz Antonia a cantar, fazendo com que retrato de sua mãe crie vida e chame por ela. Antonia canta e morre.


ATO III: Estamos em Veneza entre pessoas que procuram por prazer. Hoffmann também, agora está convencido que as únicas coisas que lhe satisfazem são o vinho e a diversão. Ele assegura novamente a seu amigo Nicklause que não tem intenção de se apaixonar. A bela Giulietta convida Hoffmann para apostar no jogo com ela.
Dapertutto, um mágico, jura que destruirá a resolução de Hoffmann de não se apaixonar. Dapertutto oferece a Giulietta um enorme diamante se ela seduzir Hoffmann para amá-la e entregar sua imagem para ela.


Giulietta usa seu charme para seduzir Hoffmann e ele desiste de sua alma olhando para um espelho mágico. Ao se mirar no espelho Hoffman percebe que não mais vê a sua imagem refletida.


Dapertutto fica satisfeito quando Hoffmann duela com o amante de Giulietta, Schlemil, pela chave do quarto dela. Hoffmann mata Schlemil e corre para Giulietta, mas ela se afoga perto de uma gôndola com o anão, Pittichinaccio, enquanto Hoffmann e Nicklausse olham com tristeza.


Epílogo: Estamos de volta à taberna de Luther. Hoffmann está muito bêbado e quando Stella vem procurá-lo depois de sua apresentação, ele está bêbado demais para vir com ela. Lindorf parte com Stella. Nicklausse pede a Hoffmann para permanecer fiel a sua Musa, a poesia.

Jacques

Baseado num texto do Metropolitan Opera International Radio Broadcast Information Service

quarta-feira, julho 19, 2006

La Bohème - Puccini


No próximo domingo, às 15:00hs., pela Radio Cultura FM de São Paulo, teremos o privilégio de ouvir aquela que é considerada a ópera mais popular dos últimos tempos.

O anúncio:


TEATRO DE ÓPERA - O mundo da lírica em obras completas
PUCCINI - La Bohème. Solistas: Roberto Alagna, Leontina Vaduva, Thomas Hampson, Simon Keenlyside, Samuel Ramey, Ruth Ann Swenson. London Voices Orquestra Filarmonia. Reg.: Antonio Pappano. Apresentação: maestro Walter Lourenção.

Puccini sempre se inspirou em frágeis heroínas para construir uma sucessão de óperas que, indiscutivelmente, fizeram com que o sucesso lhe fosse merecido.

Um traço comum, todas as suas musas, mulheres frágeis fisicamente, sucumbem ao final da ópera. Eram fisicamente frágeis, mas, qualquer soprano, é exigida ao máximo para representar e cantar. Não é só o físico que tem de ser forte, a voz é extremamente exigida. Mas, qualquer soprano sabe que, ao fim da sua ária, a ovação virá. Não há como não aplaudir essa homenagem de Puccini às suas musas. Cabe aqui uma colocação, Turandot, sua última obra, Turandot não morre. Mas Turandot só foi terminada após o falecimento de Puccini. No entanto, a verdadeira heroína da trama, Liù, esta, também sucumbe ao dar a sua vida em troca da de seu amado, Calàf. Não são muitos os que enxergam, que na trama, Liù era a verdadeira musa de Puccini.

De destaque, todas as árias de soprano. Puccini reservou-lhes os seus melhores momentos como compositor. Nessa hora, a ópera pára. E, sem dúvida, não há quem não se emocione com a homenagem de Puccini às suas musas em particular e às mulheres em geral.


La Bohème - Ópera em Quatro Atos

Música de Giacomo Puccini

Texto em italiano de Giuseppe Giacosa e Luigi Illica, baseado no romance de Henry Murger Scènes de la Vie de Bohème

Première Mundial: Turim, Teatro Regio, 1 de fevereiro de 1896

Personagens:

Rodolfo (tenor) - Um poeta parisiense pobre que se apaixona por Mimi. Seu ciúme a afasta mas, secretamente, ele está preocupado em não poder dar a ela o cuidado que ela precisa.

Marcello (barítono) - O companheiro de quarto de Rodolfo, um pintor. Ele tem um relacionamento tempestuoso e turbulento com Musetta.

Colline (baixo) - Um filósofo, vive no mesmo apartamento que Marcello e Rodolfo. Ele empenha seu casaco para obter dinheiro para comprar os remédios de Mimi

Schaunard (barítono) - Um músico. Schaunard é o quarto colega de quarto.

Mimi (soprano) - Ela diz a Rodolfo que seu nome verdadeiro é Lucia, mas todos a chamam de Mimi. Ela é uma pobre costureira que está sofrendo de definhamento (tuberculose).

Musetta (soprano) - Uma coquette namoradora, Musetta ama Marcello, mas está sempre tentando deixá-lo com ciúmes.

Benoit (baixo) - O locatário meio fracassado do prédio onde nossos quatro heróis vivem.

Alcindoro (baixo) - Um velho rico. Um dos admiradores de Musetta que o usa para provocar ciúmes em Marcello.

Sinopse:

Ato I: Véspera de Natal, por volta de 1830. No sótão parisiense que eles compartilham com dois outros artistas, o pintor Marcello e o escritor Rodolfo tentam brincar com o fato de que o inverno os impede de trabalhar. Rodolfo impede seu amigo de quebrar uma cadeira para colocar na lareira e oferece o manuscrito de sua peça ao sacrifício. Um terceiro colega de quarto, o filósofo Colline, entra, reclamando que as lojas de penhor estão fechadas para as festas, portanto, ele não pode empenhar seus livros. Quando o fogo apaga no fogão, os três surpreendem-se com a entrega de lenha e mantimentos, anunciando o retorno do músico Schuanard, que recentemente conseguiu um emprego.

Quando os quatro decidem sair para jantar, eles são interrompidos pelo locatário, Benoit, que lembra que eles devem três meses de aluguel. Dando a ele vinho, eles tiram seu pensamento do aluguel e brincam. Dividindo o dinheiro que Schaunard trouxe, eles partem, com exceção de Rodolfo, que quer terminar um artigo antes de juntar-se aos outros.


Mal tinha começado a trabalhar quanto ouviu uma batida na porta. Uma jovem aparece explicando que sua vela apagou na escada. Ela se sente momentaneamente fraca e Rodolfo a leva para uma cadeira; ele nota sua aparência de doente e oferece vinho a ela. Ela se prepara para partir mas não consegue encontrar sua chave. Enquanto eles procuram por ela, Rodolfo a encontra e a coloca em seu bolso para que ela fique um pouco mais. Tocando-a por acaso enquanto eles continuam a busca, Rodolfo faz comentários sobre como a mão dela está fria, e, então, pede que ela se sente enquanto ele fala sobre seu trabalho. Quando ele pergunta sobre ela, ela diz que seu apelido é Mimi e que costura e borda, mas que prefere as flores verdadeiras da primavera às que ela faz. Ouvindo seus amigos chamarem-no do lado de fora, ele se vira para Mimi e declara que ela é o seu sonho de amor transformado em realidade. Aturdida, ela sugere que eles se juntem a seus amigos em um restaurante; eles partem, falando sobre o novo amor que encontraram.


Ato II: Fora do Café Momus, os vendedores e os compradores fazem negócios e Rodolfo compra um gorro cor de rosa para Mimi. Quando eles se sentam em uma mesa do lado de fora, Rodolfo apresenta seus amigos e improvisa um pequeno poema, dizendo que ela é sua inspiração. Durante sua conversa, uma bonita jovem namoradora se aproxima na companhia de um homem mais velho. Marcello reconhece-a como Musetta, um amor do seu passado, e a descreve para Mimi como uma sedutora sem coração. Musetta tenta atrair a atenção de Marcello; quando ele a ignora, ela age cada vez mais escandalosamente, embaraçando Alcindoro, o homem que está com ela.


Finalmente ela começa uma valsa popular, fazendo com que os homens a admirem onde quer que ela vá. Isto evoca a resposta esperada de Marcello. Para se livrar de Alcindoro, Musetta finge que seu sapato está incomodando e pede que ele vá buscar outro; assim que ele parte, ela e Marcello se abraçam. O problema começa quando o garçom traz a conta, porque Schaunard, aparentemente, foi roubado, mas Musetta simplesmente pede ao garçom para acrescentar o valor em sua conta, e a deixa para Alcindoro. Quando os soldados da Garde Républicaine marcham, seguidos por crianças animadas, o grupo saúda Musetta como a rainha do Quartier Latin e se dirige para casa, deixando Alcindoro com a conta. Musetta canta sua valsa.


Ato III: Nos arredores de Paris, Marcello e Musetta fixam residência em uma taverna, ganhando seu sustento com a pintura e dando aulas de canto. Mimi aparece, procurando a taverna onde Marcello trabalha. Ele sai e a cumprimenta com surpresa. Embora Rodolfo tenha vindo à taverna, Marcello não sabia o que Mimi estava lhe contando - que o incessante ciúme de seu amante estava destruindo o seu relacionamento. Pesarosamente, Marcello aconselha Mimi a deixar Rodolfo.


Quando Rodolfo aparece dizendo a Marcello que pretende terminar com Mimi, ela ouve a conversa por acaso. Primeiramente, ele chama Mimi de namoradora incorrigível, mas Rodolfo finalmente admite sua preocupação real: sua tuberculose somente pode piorar com sua vida de pobreza. Rodolfo percebe que Mimi está lá quando ele ouve sua tosse. Mimi diz a Rodolfo que ela mandará buscar suas coisas, oferecendo seu gorro como recordação e dizendo que eles devem partir sem rancor. Neste meio tempo, Musetta e Marcello saem, no calor de uma discussão e separam-se com termos não muito adequados


Ato IV: Alguns meses mais tarde, no sótão, Marcello e Rodolfo estão mais uma vez tentando, sem sucesso, trabalhar. Desta vez o problema é a preocupação com as namoradas perdidas, que eles admitem inspirá-los. Schaunard entra com alguns pães e Colline com um arenque, que os quatro fingem ser um banquete, agindo como nobres, dançando e representando um duelo de brincadeira.


Interrompendo sua diversão, Musetta abre a porta dizendo que ela trouxe Mimi, que está fraca e doente. Enquanto Rodolfo tenta deixá-la confortável, Musetta explica aos outros que Mimi deixou seu admirador atual para morrer perto de Rodolfo. Musetta dá a Marcello seus brincos para que ele empenhe e compre remédios e chame um médico, e Colline oferece seu casaco, que ele venderá para o mesmo propósito. Mimi reafirma a Rodolfo o seu amor eterno e entrega-se às lembranças de seu primeiro encontro. Após um momento, Marcello volta com brandy, dizendo que um médico está a caminho. Musetta reza. Schaunard é o primeiro a perceber que Mimi, que parece cochilar, está morta. Desolado, Rodolfo grita seu nome.

Jacques

Baseado num texto do Metropolitan Opera International Radio Broadcast Information Service

quarta-feira, julho 12, 2006

Il Campanello di Notte - Donizetti


Nesta semana a Radio Cultura FM de São Paulo apresentará uma pequena ópera de Donizetti, um ato apenas, intitulada "Il Campanello di Notte".

O anúncio:

DONIZETTI - Il Campanello. Solistas: Enzo Dara, Agnes Baltsa, Biancamaria Casoni, Angelo Romero, Carlo Gaifa. Coro da Ópera de Viena. Orquestra Sinfônica de Viena. Reg.: Gary Bertini.

Essa ópera, uma dentre cerca de setenta escritas pelo autor, é considerada uma das mais hilariantes por ele produzidas.

Por se tratar de uma ópera em um único ato ela é raramente apresentada. Mesmo após pesquisar muito, não consegui uma sinopse que fizesse justiça a seu autor.

No entanto, aluno que fui do maestro Abel Rocha, não poderia deixar de mencionar que esta ópera foi por ele regida no Teatro São Pedro, aqui mesmo em São Paulo, em Novembro de 2005, com a Banda Sinfônica do Estado, Coral do Estado e encenada por Homero Velho, Gabriella Pace, Pepes do Valle, Sérgio Weintraub e Regina Mesquita.

Sinopse:

Enrico é apaixonado por Serafina, mas esta se casa com Don Annibale, o farmacêutico. A farmácia funciona na própria residência de Don Annibale, que, por lei, é obrigado a atender a todos que procuram seus serviços a qualquer hora do dia ou da noite. Don Annibale sairá de viagem, acompanhando o Rei no dia seguinte às núpcias. Sabendo disso, Enrico passará toda a noite tentando evitar que o casamento se consuma.

Jacques

terça-feira, julho 04, 2006

Il Barbiere di Siviglia - Rossini


No próximo domingo, como sempre, às 15:00hs., a Radio Cultura FM de São Paulo, irradiará a ópera O Barbeiro de Sevilha de Gioacchino Rossini. Nada como uma ópera leve, com um enredo simples e divertido, uma música descontraída e de fácil compreensão para alegrar um domingo que estaria reservado para uma bela final de Copa do Mundo com o nosso time (e que não aconteceu).

O anúncio:

TEATRO DE ÓPERA - O mundo da lírica em obras completas ROSSINI - O Barbeiro de Sevilha. Solistas: Roberta Peters, Robert Merrill, Cesare Valletti, Giorgio Tozzi, Fernando Corena. Coro e Orquestra do Metropolitan Opera. Reg.: Erich Leinsdorf.

Apresentação: maestro Walter Lourenção.

Ópera em dois atos

Música de Gioacchino Rossini
Texto em italiano de Cesare Sterbini, baseado na Le Barbier de Séville de Beaumarchais

Première Mundial: Roma, Teatro Argentina, 2 de fevereiro de 1816

Personagens:

Rosina (mezzo-soprano) - Jovem e bonita, Rosina está presa na casa de Dr. Bartolo, seu guardião que deseja se casar com ela pela sua fortuna.

Conde Almaviva (tenor) - Um jovem rico e elegante que está enamorado de Rosina. Almaviva se aproxima de Rosina disfarçado, como se fosse um pobre estudante, para estar seguro de que ela o ama por ele mesmo e não por seu título ou fortuna.

Fígaro (barítono) - O barbeiro da cidade que sempre dá um jeito de participar de todos os planos e intrigas. Fígaro ajuda Almaviva a elaborar uma intriga para afastar Rosina do Dr. Bartolo.

Dr. Bartolo (baixo) - O guardião de Rosina, um médico charlatão, idoso, ciumento e avarento, que tem a esperança de fazer uma fortuna forçando sua jovem pupila a casar-se com ele. Sabendo que Rosina o odeia, Bartolo a mantém prisioneira em casa.

Don Basílio (baixo) - O professor de canto de Rosina e cúmplice de Bartolo.

Fiorello ( barítono) - O músico pago pelo Conde Almaviva para fazer serenata à graciosa Rosina.

Sargento (tenor) - Um policial.

Ambrogio (tenor) - O serviçal de Bartolo.

Berta (soprano) - A serviçal de Bartolo

Sinopse:

Primeiro ato: Nas primeiras horas da manhã, antes do amanhecer, o Conde Almaviva faz uma serenata na janela de uma bonita jovem. Ele não sabe seu nome, mas espera que ela o tenha notado. Quando não há resposta começa a desesperar-se. Subitamente ouve um homem cantando sozinho e daí a pouco encontra Fígaro, o barbeiro da cidade. Fígaro fica surpreso ao ver o Conde tão cedo e tão longe de casa. Almaviva conta a Fígaro que está na cidade para pedir a mão de uma bonita jovem que vive nesta casa com o pai, um médico. Fígaro sorri.

Fígaro diz a Almaviva que pode ajudá-lo nesta empreitada, uma vez que ele, Figaro, é barbeiro, jardineiro, cirurgião, peruqueiro e muitas coisas mais nesta casa. Também diz a Almaviva que o homem que ele acredita ser o pai da moça, na verdade é seu guardião. Neste momento, Don Bartolo chega à janela e os dois conseguem ouvi-lo dizer que vai sair e que caso Don Basilio chegue é para fazê-lo esperar. Don Bartolo deseja se casar, o mais breve possível, com a jovem, cujo nome é Rosina. Fígaro conta a Almaviva que Basilio é um vulgar casamenteiro, mas também é professor de música de Rosina. Imediatamente, Almaviva faz um acordo com Fígaro para que este o introduza na casa de Rosina. Fígaro diz a Almaviva que o encontre em sua barbearia para apanhar um disfarce.

Enquanto isso, Rosina está em seu quarto no andar superior. Ela está ciente da presença do elegante jovem em sua janela e está determinada a impedir qualquer plano que Dr. Bartolo tenha a seu respeito. Ela também está decidida a mandar uma mensagem ao jovem elegante, o qual conhece apenas como Lindoro. Ela viu que Fígaro também estava lá fora e se existe alguém que pode ajudá-la é ele, Fígaro.

No andar inferior, Bartolo e Basilio estão planejando. De alguma forma se inteiraram que Almaviva andava pelos arredores e que também pretendia tomar Rosina como sua esposa. Eles deviam encontrar uma forma de eliminá-lo. Talvez isto acontecesse se um terrível boato sobre Almaviva fosse espalhado pela cidade. Bartolo não concorda, pois isso tomaria muito tempo. O que devem fazer é elaborar um contrato de casamento e tê-lo assinado nesse mesmo dia. Entretanto, nenhum dos dois havia se dado conta de que Fígaro encontrava-se do lado de fora ouvindo toda a conversa. Nesse instante Fígaro sabe o que ele deve fazer.

Fígaro se infiltra no quarto de Rosina e lhe diz que Bartolo planeja se casar com ela. Ela ri e diz que ele deve estar louco. Então pergunta a Fígaro quem era o homem bem apessoado que havia visto com ele nesta manhã. Fígaro explica a Rosina que era seu primo Lindoro, um pobre estudante que está apaixonado por ela. Isto a comove e ela fica ansiosa para conhecé-lo. Fígaro lhe diz que se mandar um bilhete, ele virá vê-la. Ela escreve e Fígaro sai com o bilhete.

Alguns segundos depois que Fígaro sai, Bartolo entra abruptamente no quarto e pergunta a Rosina o que Fígaro estava fazendo ali. Ela lhe diz que eles tiveram uma conversa trivial e Bartolo ridiculariza o fato. Ele sabe que ela está tramando algo - como Rosina se atreve a fazer de tolo um grande e importante médico! Bartolo observa que há menos papel e conclui que ela escreveu um bilhete. Então jura mantê-la em prisão domiciliar.

Neste momento, um policial bate na porta e entra. O policial é na realidade Almaviva disfarçado. Ele começa a deixar Bartolo louco, primeiro pronunciando incorretamente seu nome e depois procurando desajeitadamente pela autorização de busca. Bartolo quer botá-lo para fora da casa, mas Almaviva deseja ver Rosina e fala evasivamente para ganhar tempo. Finalmente Rosina aparece e percebe qual é o plano. Bartolo tenta forçar Almaviva a sair forçosamente, mas este desafia Bartolo para uma luta. Bartolo vê que Almaviva está passando um bilhete para Rosina, o que lhe parece algo suspeito e exige ver a nota. Rosina rapidamente troca os pedaços de papéis e quando Bartolo pega a nota, o que ele vê é uma lista de lavanderia. Bartolo está desnorteado, seguro de que algo está mal, porém não pode provar, enquanto Rosina e Almaviva se divertem nas suas costas. Sucede-se uma turbulenta argumentação e Rosina começa a chorar reclamando que sua vida é uma prisão. Almaviva saca um revólver e ordena que Bartolo saia de seu caminho e uma discussão calorosa se eleva. Abruptamente Fígaro aparece dizendo que os gritos podem ser ouvidos em toda a cidade. Ele tenta acalmá-los, mas Almaviva e Bartolo não podem parar de discutir.

Ouve-se uma forte batida na porta. Um policial verdadeiro entra, mas como todos tentam explicar ao mesmo tempo o que está acontecendo, nada faz sentido. Justamente quando Bartolo pensa que o policial vai prender Almaviva, o policial vai embora. Tudo volta ao caos.

Segundo ato: Bartolo murmura consigo mesmo, preocupado com o policial - ninguém parece saber quem é ele! Ele suspeita que o policial é um espião de Almaviva. Uma batida na porta interrompe seus pensamentos. Na porta está um jovem que parece vagamente familiar a Bartolo, mas este não consegue identificar. O jovem se apresenta como Don Alonso, um professor de música e estudante de Don Basilio. Don Alonso esclarece que Don Basilio está doente e não pode dar aula para Rosina, e que ele veio em seu lugar.

"Don Alonso" diz a Bartolo que Rosina está sendo enganada por alguém chamado Conde Almaviva e mostra a carta de Rosina como prova. Ele pede para falar a sós com Rosina para dar-lhe a notícia. Bartolo fica agitado e concorda porque acredita que este deve ser o terrível boato sobre Almaviva que Basilio planejava esparramar na cidade. "Don Alonso" busca Rosina que o reconhece como Lindoro disfarçado e os dois começam a lição de música, enquanto Bartolo cochila em sua cadeira. Rosina e seu professor namoricam durante a aula.

Ao final da aula, chega Fígaro. Um carrancudo Bartolo exige que lhe explique o que estava fazendo em sua casa. Fígaro responde que estava na hora de fazer sua barba. Bartolo, de má vontade, lhe entrega as chaves para abrir o armário e pegar uma navalha e uma toalha. Secretamente, Fígaro retira uma chave importante do molho de chaves.

Inesperadamente Don Basilio entra. Todos ficam chocados - mas por diferentes razões. Pensando rapidamente, Fígaro e Almaviva convencem Don Basilio de que ele está gravemente doente, com escarlatina, e que deve retornar para a cama imediatamente. Confuso ele sai.

Fígaro começa a fazer a barba de Bartolo e Almaviva e Rosina fingem que continuam a aula de música. Almaviva diz a Rosina que Fígaro tem a chave de sua janela e que eles dois estarão ali, a meia noite para ajudá-la a escapar. Explica que para reforçar o seu disfarce ele havia entregado a carta a Don Bartolo a fim de enganá-lo. Bartolo ouve parte desta conversa e ataca furiosamente, rugindo que ele sabe tudo sobre eles, persegue e empurra Fígaro e Almaviva para fora da casa. A seguir, Bartolo procura Don Basilio e confirma que Don Alonso é um impostor. Os dois deduzem que Don Alonso é Almaviva e começam a fazer os arranjos necessários para que Bartolo possa casar-se rapidamente com Rosina. Basilio sai para trazer um juiz e Bartolo planeja impedir qualquer plano que Fígaro e Almaviva possam ter para seqüestrar Rosina.

Bartolo engana Rosina dizendo que Lindoro tem estado brincando com seus sentimentos. Ele mostra a carta que ela havia mandado a Lindoro ( que na realidade é Almaviva, mas Rosina não sabe). Bartolo lhe diz que Lindoro somente quer raptá-la para levá-la a Almaviva. Sentindo-se traída, Rosina jura vingar-se e declara que se casará rapidamente com Bartolo, antes da meia noite. Ele a orienta para se trancar no quarto.

É uma noite escura e tormentosa, mas Fígaro e Almaviva dão um jeito de chegar à janela de Rosina com uma escada. Os dois sobem à escada e pulam para dentro do quarto. Rosina entra, os vê e, furiosa deseja mandá-los embora. Almaviva se identifica e diz que Lindoro não existe. Felizes, eles caem nos braços um do outro. Enquanto planejam escapar, descobrem que a escada havia desaparecido. Basilio, que está do lado de fora, havia levado a escada.

O juiz aparece e se dirige a Fígaro, que lhe pergunta se está pronto para realizar o casamento do Conde Almaviva com Rosina. Chocado, Basilio se vê forçado a ser testemunha do casamento, o qual que se realiza sem demora. Bartolo voltando com um policial, aos gritos ordena que Fígaro e Almaviva sejam presos. Quando Almaviva se identifica, Bartolo se dá por vencido. Fígaro diz que adora um final feliz; todos os planos se realizaram com êxito. Fígaro, o Conde e Rosina celebram a boa sorte.

Jacques

Baseado num texto do Metropolitan Opera International Radio Broadcast Information Service